Perguntas e Respostas

1 - Por que cigarro, charuto, cachimbo, fumo de rolo, rapé, narguilé e outros produtos derivados de tabaco fazem mal à saúde?

Todos os derivados do tabaco, que podem ser usados nas formas de inalação (cigarro, charuto, cachimbo, narguilé, cigarro de palha), aspiração (rapé) e mastigação (fumo-de-rolo), são nocivos à saúde. No período de consumo desses produtos são introduzidas no organismo cerca de 4.720 substâncias tóxicas, incluindo nicotina (responsável pela dependência química), monóxido de carbono (o mesmo gás venenoso que sai do escapamento de automóveis) e alcatrão, que é constituído por aproximadamente 60 substâncias cancerígenas, como agrotóxicos e elementos radioativos.

2 - Quais os derivados do tabaco mais agressivos à saúde e como agem?

A fumaça do cigarro possui uma fase gasosa e uma particulada. A fase gasosa é composta por monóxido de carbono, nicotina, amônia, cetonas, formaldeído, acetaldeído e acroleína, entre outras substâncias. Algumas produzem irritação nos olhos, nariz, garganta e levam à paralisia dos movimentos dos cílios dos brônquios. A fase particulada contém nicotina e alcatrão, que concentra 60 substâncias cancerígenas, entre elas arsênio, níquel, benzopireno, cádmio, chumbo, além de resíduos de agrotóxicos aplicados nos produtos agrícolas e substâncias radioativas.

3 - Como o cigarro atua quimicamente no organismo?

A fumaça do cigarro é inalada para os pulmões, distribuindo-se para o sistema circulatório fazendo com que a nicotina chegue de 7 a 19 segundos ao cérebro. Além disso, o fluxo sanguíneo capilar pulmonar é rápido, e todo o volume de sangue do corpo percorre os pulmões em um minuto. Dessa forma, as substâncias inaladas pelos pulmões espalham-se pelo organismo com uma velocidade quase igual à de substâncias introduzidas por uma injeção intravenosa. A fumaça do charuto e cachimbo é absorvida pela mucosa oral. Dessa forma, não há a necessidade de tragá-la, pois da cavidade oral, a nicotina atinge rapidamente o cérebro.

4 - O que causa a dependência do cigarro?

A nicotina, que é encontrada em todos os derivados do tabaco (cigarro, charuto, cachimbo, cigarro de palha, narguilé, entre outros) é a droga que causa dependência. Essa substância é psicoativa, isto é, produz a sensação de prazer, o que pode induzir ao abuso e à dependência. A dependência à nicotina é incluída na Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial de Saúde - (CID). Ao ser inalada produz alterações no Sistema Nervoso Central, modificando assim o estado emocional e comportamental dos indivíduos, da mesma forma como ocorre com a cocaína, heroína e álcool. Depois que a nicotina atinge o cérebro, libera várias substâncias (neurotransmissores) que são responsáveis por estimular a sensação de prazer explicando-se assim as boas sensações que o fumante tem ao fumar. Com a inalação contínua da nicotina, o cérebro se adapta e passa a precisar de doses cada vez maiores para manter o mesmo nível de satisfação que tinha no início. Esse efeito é chamado de tolerância à droga. Com o passar do tempo, o fumante passa a ter necessidade de consumir cada vez mais cigarros. Com a dependência, cresce também o risco de se contrair doenças crônicas não transmissíveis, que podem levar à invalidez e à morte.

5 - Por que as pessoas começam e continuam a fumar?

A maioria dos fumantes torna-se dependente da nicotina antes dos 19 anos de idade. Há vários fatores que levam as pessoas a fumar, dentre eles a publicidade direta e indireta que é dirigida principalmente aos adolescentes, jovens e mulheres e fornece uma falsa imagem de que fumar está associado ao bom desempenho sexual e esportivo, ao sucesso, à beleza, à independência e à liberdade. No Brasil, a publicidade de produtos de tabaco é proibida e encontra-se restrita aos pontos internos de venda de cigarros. No entanto, há várias estratégias da indústria do tabaco para atrair as pessoas para que passem a consumir seus produtos. O fácil acesso à compra e o baixo preço dos cigarros, além da tentativa de serem aceitos por grupo de amigos fumantes, se espelharem em pais e ídolos fumantes, também podem corroborar para que o jovem passe a experimentar cigarros, tornando-se em um futuro próximo um dependente de nicotina.

6 - Quais são as doenças causadas pelo uso do cigarro e outros produtos derivados de tabaco?

O tabagismo é uma doença (dependência de nicotina) e que tem relação com aproximadamente 50 enfermidades, dentre elas vários tipos de câncer (pulmão, laringe, faringe, esôfago, estômago, pâncreas, fígado, rim, bexiga, colo de útero, leucemia), doenças do aparelho respiratório (enfisema pulmonar, bronquite crônica, asma, infecções respiratórias) e doenças cardiovasculares (angina, infarto agudo do miocárdio, hipertensão arterial, aneurismas, acidente vascular cerebral, tromboses). Há ainda, outras doenças relacionadas ao tabagismo: úlcera do aparelho digestivo; osteoporose; catarata; impotência sexual no homem;  infertilidade na mulher; menopausa precoce e complicações na gravidez. Estima-se que, no Brasil, a cada ano, 200 mil pessoas morram precocemente devido às doenças causadas pelo tabagismo.

7 - Existem outras desvantagens em ser fumante?

Os fumantes adoecem com uma frequência duas vezes maior que os não fumantes. Têm menor resistência física, menos fôlego e pior desempenho nos esportes e na vida sexual do que os não fumantes. Além disso envelhecem mais rapidamente e ficam com os dentes amarelados, cabelos opacos, pele enrugada e impregnada pelo odor do fumo.

8 - Quais são os riscos para a mulher grávida?

A mulher grávida que fuma, aumenta o risco de apresentar placenta prévia (quando a placenta se implanta na parte inferior do útero, cobrindo parcial ou totalmente o colo do útero), descolamento de placenta e hemorragias uterinas. Há o dobro de chance de o bebê nascer com baixo peso, 70% de chance de aborto espontâneo, 40% de chance de ter parto prematuro e 30% de chance do bebê apresentar morte perinatal. Além disso, o bebê pode apresentar redução do calibre de suas vias aéreas, levando a uma redução da sua função pulmonar, tornado-o suscetível a crises de dispnéia e a contrair mais infecções respiratórias. Filhos de fumantes adoecem duas vezes mais do que os filhos de não fumantes.

9 - Quais são os danos causados ao meio ambiente?

A maior parte do fumo produzido no País é oriunda da Região Sul. Tal cultivo concentra-se nas mãos dos agricultores familiares, proprietários ou não de terras. O tabaco, do cultivo até o consumo, afeta o ar, o solo, a água e ainda causa desmatamento. Os principais impactos ambientais decorrentes da fumicultura é a: contaminação do ar, porque a aplicação de agrotóxicos expõe não apenas o trabalhador, mas todo o entorno, pois ele é pulverizado e carregado pelo vento. Além disso, a queima de madeira para secagem das folhas provoca a contaminação do ar pela emissão de partículas tóxicas. Ocorre também a  contaminação dos córregos, rios, do solo com o uso de agrotóxicos na lavoura. Para a obtenção de safras cada vez melhores, os plantadores de fumo usam agrotóxicos em grande quantidade, causando danos à saúde dos agricultores e ao ecossistema. Os agrotóxicos podem permanecer no ambiente e, somados à monocultura do fumo, ocasionar empobrecimento do solo, além de contaminação de lençóis freáticos. Outro problema é o desmatamento, pois florestas inteiras são devastadas para alimentar os fornos à lenha que secam as folhas do fumo antes de serem industrializadas. A retirada de árvores nativas e sua substituição por árvores de reflorestamento causam danos ao ecossistema. As mudanças provocadas pelo próprio homem ao meio ambiente, podem causar diferentes tipos de câncer. Além disso, filtros de cigarros atirados em lagos, rios, mares, florestas e jardins demoram em torno de 5 anos poluindo, o tempo necessário para degradarem-se. Entretanto, o tempo de decomposição do filtro do cigarro também depende das condições climáticas do local onde ele for descartado e da composição do material que foi utilizado no seu processo de produção.

10 - A produção de fumo gera perdas ao País?

Segundo o Banco Mundial, o consumo do fumo gera uma perda mundial de 200 bilhões de dólares por ano, representados por: sobrecarga do sistema de saúde com tratamento das doenças causadas pelo fumo; mortes precoces de cidadãos em idade produtiva; maior índice de aposentadoria precoce; faltas ao trabalho de 33 a 45% a mais; menor rendimento no trabalho; mais gastos com seguros, com limpeza, manutenção de equipamentos e reposição de mobiliários; maiores perdas com incêndios provocados por pontas de cigarros acesas; e redução da qualidade de vida do fumante e de sua família.

11 - O que é tabagismo passivo?

É a inalação da fumaça de derivados do tabaco por indivíduos não fumantes que convivem com fumantes em ambientes fechados. A poluição decorrente da fumaça dos derivados do tabaco em ambientes fechados é denominada de Poluição Tabagística Ambiental (PTA) e, segundo a OMS, é a maior responsável pela poluição em ambientes fechados, e a terceira maior causa de morte evitável no mundo.

12 - Como o tabagismo passivo afeta a saúde?

Os não fumantes que respiram a fumaça do tabaco têm um risco maior de desenvolver doenças relacionadas ao tabagismo. Quanto maior o tempo em que o não fumante fica exposto à poluição tabagística ambiental, maior a chance de adoecer. A fumaça que sai livremente da ponta do cigarro acesa se difunde homogeneamente pelo ambiente. Essa fumaça contém em média três vezes mais nicotina, três vezes mais monóxido de carbono e até 50 vezes mais substâncias cancerígenas do que a fumaça que o fumante inala.  O tabagismo passivo pode acarretar desde reações alérgicas (rinite, tosse, conjuntivite, exacerbação de asma) em exposição à PTA em curto período, até infarto agudo do miocárdio, câncer de pulmão e doença pulmonar obstrutiva crônica (enfisema pulmonar e bronquite crônica) em adultos expostos à PTA por longo período.

13 - Quais são os riscos para crianças que convivem com fumantes em ambientes fechados?

As crianças, especialmente as mais novas, são muito prejudicadas quando expostas à poluição tabagística ambiental, o que ocorre frequentemente em função do convívio com pessoas que fumam. Um estudo da OMS, envolvendo 700 milhões de crianças que vivem com fumantes em casa (cerca de metade das crianças do mundo), mostrou que elas apresentaram um aumento de incidência de pneumonia, bronquite, exacerbação de asma, infecções do ouvido médio, síndrome da morte súbita infantil, além de uma maior probabilidade de desenvolvimento de doença cardiovascular na idade adulta. Nos casos em que a mãe é fumante, estima-se uma chance maior para infecções respiratórias e de ouvido médio do que nos casos em que a mãe não é fumante.

14 - O aumento da ventilação nos ambientes pode eliminar a poluição tabagística ambiental?

Estudos científicos demonstraram que tanto a ventilação por diluição, por deslocamento ou a purificação do ar não conseguem controlar o risco da poluição tabagísitica ambiental a nível mínimo para a saúde dos não fumantes. Visando limitar o risco de câncer de pulmão e doenças cardiovasculares ao nível mínimo, seria necessária uma taxa de ventilação “do nível de um tornado” para controlar a PTA.

Portanto, a proibição de fumar em ambientes fechados representa a alternativa mais eficiente em termos de custo, aplicabilidade e redução de risco para não fumantes expostos à fumaça dos derivados do tabaco em ambientes fechados.

15 - As imagens e frases de advertência nos maços de cigarros causam impacto?

Sim. A função das advertências nos maços de cigarros é reduzir a prevalência de fumantes e prevenir a experimentação do produto, especialmente pelas crianças, adolescentes e jovens. Essa medida está inserida em um conjunto de estratégias de promoção da saúde que envolvem ações nos âmbitos educativo, legislativo e econômico, todas elas com o objetivo de reduzir a exposição da população ao tabagismo. Além dessa informação, também constam nos maços de cigarros os teores de nicotina, alcatrão e monóxido de carbono e o telefone do "Disque Saúde 136", um serviço de orientação à população para deixar de fumar.

16 - Existem números e pesquisas que comprovem que as imagens nos maços diminuem o número de fumantes?

Sim. No Brasil, uma pesquisa realizada em abril de 2002 pelo Instituto Data Folha, com 2.216 pessoas maiores de 18 anos em 126 municípios de todo país, revelou que: 70% dos entrevistados acreditam que as imagens são eficientes para evitar a iniciação ao tabagismo; 67% dos fumantes sentiram vontade de abandonar o fumo desde o início da veiculação das novas advertências; 54% mudaram de idéia sobre os malefícios causados no organismo e estão preocupados com a saúde. Outra pesquisa, realizada pelo serviço Disque Pare de Fumar, do Ministério da Saúde, no período de março a dezembro de 2002 com 89.305 pessoas, revelou que 62,67% consideram as imagens um ótimo serviço prestado à comunidade. Além disso, durante as comemorações do dia 27 de novembro de 2002 (Dia Nacional de Combate ao Câncer) foi realizada uma pesquisa piloto com 650 pessoas durante uma feira de saúde promovida no município do Rio de Janeiro. O estudo concluiu, dentre outros resultados, que 62% dos entrevistados consideram que as imagens de advertência estimulam as pessoas a deixar de fumar. 

17 - Qual o papel do INCA no controle do tabagismo?

O INCA é o órgão do Ministério da Saúde responsável pela coordenação e pela articulação das ações nacionais para o controle do tabagismo e outros fatores de risco de câncer no Brasil. Assim, o INCA desenvolve estratégias voltadas para prevenção e tratamento do tabagismo, promoção de ambientes livres visando contribuir para a redução da incidência e mortalidade por câncer e doenças tabaco-relacionadas no país.

18 - Existe tratamento gratuito para parar de fumar?

Sim. Desde 2002 o Ministério da Saúde juntamente com as secretarias estaduais e municipais de Saúde vem organizando uma rede de unidades de saúde do SUS para oferecer tratamento do tabagismo para os fumantes que desejam parar de fumar.  O tratamento é realizado por profissionais de saúde de nível superior e composto de uma avaliação individual, passando depois por consultas individuais ou sessões de grupo de apoio, nas quais o paciente fumante entende o papel do cigarro na sua vida, recebe orientações de como deixar de fumar, como resistir à vontade de fumar, e principalmente como viver sem cigarro. Durante as quatro primeiras reuniões de grupo (ou consultas individuais) são fornecidos manuais de apoio com informações sobre cada uma das sessões. Também são fornecidos medicamentos gratuitos com o objetivo de reduzir os sintomas da síndrome de abstinência à nicotina. Procure o coordenador do controle de tabagismo no seu Estado, município ou postos de saúde próximos de sua casa ou do trabalho, e se informe sobre os locais e horários para acerca do de tratamento do tabagismo.

19 - Quem já tentou várias vezes, mas sempre voltou a fumar um dia conseguirá parar em definitivo?

Sim. Já é esperado que a pessoa faça mais de uma tentativa antes de parar definitivamente. Estudos mostram que em média um ex-fumante tenta parar de fumar entre três a quatro vezes até conseguir definitivamente. A cada tentativa, se conhece as maiores dificuldades e aprende-se a controlá-las, sem fumar. Por exemplo: você resolve parar de fumar, e ao estar diante de uma situação de estresse, pensa em fumar um cigarro como solução para se acalmar. Com o tempo você vai aprendendo que, além do cigarro não resolver seus problemas, ele está tirando sua saúde.

20 - É mais difícil a mulher parar de fumar do que o homem?

Homens e mulheres têm formas distintas de lidar com o tabaco. Na mulher o uso de cigarros muitas vezes está associado a mudança de humor, e essa tendência pode criar dificuldades diferenciadas diante da abstinência. Além disso, ao para de fumar geralmente existe um ganho de peso que pode ser um fator dificultador paras que as mulheres consigam parar de fumar. O importante é que os profissionais conheçam essas especificidades para que possam oferecer o tratamento adequado para que as chances de sucesso sejam maiores.

21 - O que é a doença da "folha verde" ou "mão verde"?

A "doença da folha verde do tabaco", que costuma atingir trabalhadores do setor do fumo, é uma espécie de overdose de nicotina, que é absorvida pela pele do trabalhador na colheita das folhas. O suor, o orvalho e a chuva facilitam o contato da substância com a pele. Mesmo não sendo fumantes, as pessoas que desenvolvem a doença chegam a ter uma quantidade da substância cotinina na urina maior do que quem fuma. O mal causa dores de cabeça, tontura, náuseas e cólica. Ele dura alguns dias e pode afetar a mesma pessoa repetidas vezes. A doença da folha verde do tabaco ainda é pouco conhecida e os médicos costumam confundi-la com outras enfermidades. Várias pesquisas estão em andamento para detectar todas as consequencias dessa doença.

22 - Um paciente que faz tratamento para câncer no INCA, e é tabagista também pode fazer tratamento para deixar de fumar na Instituição?

Sim. Para ajudar pacientes e familiares a pararem de fumar existe no INCA uma área de tratamento de tabagismo, ligado à Coordenação de Assistência, localizado no décimo andar da Hospital de Câncer I (HC I). Muitos desconhecem mas já está comprovado cientificamente que a cessação do tabagismo tem efeitos positivos mesmo em quem já está doente com diagnóstico de câncer. Dentre os muitos benefícios que o paciente alcança após parar de fumar está a melhora na cicatrização cirúrgica, na capacidade de oxigenação, na diminuição do efeito colateral da radioterapia e da quimioterapia e, consequentemente, uma melhor resposta ao tratamento e qualidade de vida. O atendimento pode se dar tanto por procura espontânea do paciente diretamente ao centro de tratamento do tabagismo, como por encaminhamento através dos profissionais de saúde do Instituto. A equipe também atende pacientes internados na Unidade I (HC I) que apresentem síndrome de abstinência, já que não é permitido fumar no hospital. Além disso, toda a força de trabalho do Instituto e seus familiares também podem aderir e realizar o tratamento do tabagismo na instituição.

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