Projeto Fala Sério! discutiu controle do tabagismo em seis universidades do país
Sep 9, 2009 - Mais de 500 universitários participaram do Projeto Fala Sério!, parceria entre o Instituto Nacional de Câncer (INCA) e a Aliança de Controle do Tabagismo (ACT-Br). Nesta primeira edição foram exibidas seis sessões do filme Fumando Espero, seguido de debate com a diretora do documentário, Adriana L. Dutra, e convidados, no Rio, em São Paulo, Recife e João Pessoa.
O projeto aconteceu entre os dias 24 de agosto e 2 de setembro, marcando as comemorações pelo Dia Nacional de Combate ao Fumo, 29 de agosto. O objetivo foi levar a temática do controle do tabagismo aos jovens universitários, público-alvo do marketing dos fabricantes de cigarro.
Em cada uma das sessões, o evento contou com debatedores não-fumantes ou ex-fumantes, ao lado da diretora. No Rio, o segundo encontro teve a presença do ator Ney Latorraca, que dá seu depoimento no filme. Ele revelou que foi trabalhar aos 15 anos, justamente para poder comprar seus cigarros. “Naquele tempo, a gente começava a fumar para provar que era homem.”
Fumante até os 58 anos, como conseqüência Ney adquiriu DPOC, ou doença pulmonar obstrutiva crônica. “Quando o tempo muda, começo a tossir. Uso um remédio que cada aspirada custa R$ 500”, lamentou. Apesar da DPOC, atualmente Ney caminha oito quilômetros, faz uma hora de academia e nada 30 minutos todos os dias. “E recuperei o gosto pela leitura”, afirmou.
A diretora Adriana Dutra concordou com Ney na tese de que o cigarro atrapalha a concentração. “No trabalho, perdia duas horas por dia saindo da sala para fumar”, comentou a diretora, que começou a fumar aos 21 anos, quando entrou para o teatro, e ainda hoje luta contra as recaídas. “Fui influenciada pelas campanhas, que associavam o cigarro a sucesso. Hoje, o fumo na TV e no cinema está associado ao malandro, ao vilão”, comparou.
Na exibição no Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, o público participou ativamente, com perguntas e comentários. A estudante de Pedagogia Íris Medeiros de Almeida questionou a posição da Advocacia Geral da União que afirma que as leis estaduais e municipais que visam a proibição do fumo em locais coletivos fechados são inconstitucionais, uma vez que a Lei Federal permite o fumo em fumódromos. Na opinião de Íris, que é alérgica, as leis regionais precisam continuar a vigorar.
Adriana não só defendeu as leis regionais como afirmou que a lei estadual de São Paulo já começou a produzir resultados. “Li depoimentos de garçons afirmando que não têm mais rinite desde que passou a ser proibido fumar em locais coletivos fechados”, contou.
Gleise Dutra Nana, aluna de Direção Teatral, quis saber porque nem todo mundo que experimenta o cigarro fica dependente. Segundo a chefe da Divisão de Controle do Tabagismo, Tânia Cavalcante, que também estava na platéia, 80% dos que experimentam o cigarro tornam-se dependentes.
“O cérebro de crianças e adolescentes é mais sensível a desenvolver dependência. Por isso, o marketing da indústria do tabaco foca a criança e o adolescente, fazendo um apelo para a experimentação. O ato de fumar é visto como um passaporte para a vida adulta. Quando essa situação passa, a maioria já ficou dependente”, explicou.
Projeto Fala Sério! discutiu controle do tabagismo em seis universidades do país
Sep 9, 2009 - Mais de 500 universitários participaram do Projeto Fala Sério!, parceria entre o Instituto Nacional de Câncer (INCA) e a Aliança de Controle do Tabagismo (ACT-Br). Nesta primeira edição foram exibidas seis sessões do filme Fumando Espero, seguido de debate com a diretora do documentário, Adriana L. Dutra, e convidados, no Rio, em São Paulo, Recife e João Pessoa.
O projeto aconteceu entre os dias 24 de agosto e 2 de setembro, marcando as comemorações pelo Dia Nacional de Combate ao Fumo, 29 de agosto. O objetivo foi levar a temática do controle do tabagismo aos jovens universitários, público-alvo do marketing dos fabricantes de cigarro.
Em cada uma das sessões, o evento contou com debatedores não-fumantes ou ex-fumantes, ao lado da diretora. No Rio, o segundo encontro teve a presença do ator Ney Latorraca, que dá seu depoimento no filme. Ele revelou que foi trabalhar aos 15 anos, justamente para poder comprar seus cigarros. “Naquele tempo, a gente começava a fumar para provar que era homem.”
Fumante até os 58 anos, como conseqüência Ney adquiriu DPOC, ou doença pulmonar obstrutiva crônica. “Quando o tempo muda, começo a tossir. Uso um remédio que cada aspirada custa R$ 500”, lamentou. Apesar da DPOC, atualmente Ney caminha oito quilômetros, faz uma hora de academia e nada 30 minutos todos os dias. “E recuperei o gosto pela leitura”, afirmou.
A diretora Adriana Dutra concordou com Ney na tese de que o cigarro atrapalha a concentração. “No trabalho, perdia duas horas por dia saindo da sala para fumar”, comentou a diretora, que começou a fumar aos 21 anos, quando entrou para o teatro, e ainda hoje luta contra as recaídas. “Fui influenciada pelas campanhas, que associavam o cigarro a sucesso. Hoje, o fumo na TV e no cinema está associado ao malandro, ao vilão”, comparou.
Na exibição no Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, o público participou ativamente, com perguntas e comentários. A estudante de Pedagogia Íris Medeiros de Almeida questionou a posição da Advocacia Geral da União que afirma que as leis estaduais e municipais que visam a proibição do fumo em locais coletivos fechados são inconstitucionais, uma vez que a Lei Federal permite o fumo em fumódromos. Na opinião de Íris, que é alérgica, as leis regionais precisam continuar a vigorar.
Adriana não só defendeu as leis regionais como afirmou que a lei estadual de São Paulo já começou a produzir resultados. “Li depoimentos de garçons afirmando que não têm mais rinite desde que passou a ser proibido fumar em locais coletivos fechados”, contou.
Gleise Dutra Nana, aluna de Direção Teatral, quis saber porque nem todo mundo que experimenta o cigarro fica dependente. Segundo a chefe da Divisão de Controle do Tabagismo, Tânia Cavalcante, que também estava na platéia, 80% dos que experimentam o cigarro tornam-se dependentes.
“O cérebro de crianças e adolescentes é mais sensível a desenvolver dependência. Por isso, o marketing da indústria do tabaco foca a criança e o adolescente, fazendo um apelo para a experimentação. O ato de fumar é visto como um passaporte para a vida adulta. Quando essa situação passa, a maioria já ficou dependente”, explicou.