STATUS DA POLÍTICA
                                                                                                        Atualizado em 12/05/2017

Doenças relacionadas ao tabagismo

O tabagismo é reconhecido como uma doença crônica gerada pela dependência da nicotina, estando por isso inserido na Classificação Internacional de Doenças (CID10) da Organização Mundial da Saúde (OMS). É também o mais  importante fator de risco isolado para cerca de 50 doenças, muitas  delas graves e fatais, como o câncer, cardiovasculares, enfisema e outras.

A OMS tem alertado que a carga global das doenças crônicas não transmissíveis (doenças cardiovasculares, doenças respiratórias crônicas, diabetes, câncer) está aumentando e representa a principal barreira para o desenvolvimento e o alcance dos Objetivos do Milênio para o Desenvolvimento. E o tabagismo é um dos principais fatores de risco dessas doenças.

O tabaco fumado em qualquer uma de suas formas causa até 90% de todos os cânceres de pulmão e é um fator de risco significativo para acidentes cérebro-vasculares e ataques cardíacos mortais. Os produtos de tabaco que não produzem fumaça também causam dependência e são responsáveis pelo desenvolvimento de câncer de cabeça, pescoço, esôfago e pâncreas, assim como muitas patologias buco-dentais (1).

O tabagismo é responsável pelos seguintes cânceres (2): 

• Leucemia mielóide aguda
• Câncer de bexiga

• Câncer de pâncreas
• Câncer de fígado
• Câncer do colo do útero
• Câncer de esôfago
• Câncer nos rins
• Câncer de laringe (cordas vocais)
• Câncer de pulmão
• Câncer na cavidade oral (boca)
• Câncer de faringe (pescoço)
• Câncer de estômago

 

Comparados aos não fumantes, estima-se que o tabagismo aumenta o risco de (3):  

• desenvolver doença coronariana em 2 a 4 vezes (4);

• desenvolver acidente vascular cerebral em 2 a 4 vezes;
• homem desenvolver câncer de pulmão em 23 vezes;
• mulher desenvolver câncer de pulmão em 13 vezes; e
• morrer de doenças pulmonares obstrutivas crônicas (como bronquite crônica e enfisema) em 12 a 13 vezes.

 

 

No Brasil:

 

Em 2014, as doenças cardiovasculares e o câncer, que têm o tabagismo como seu mais importante fator de risco, foram a primeira e segunda causas de óbitos por doença no Brasil. A mortalidade por câncer correspondeu a 15,26% do total de óbitos.

A estimativa para o Brasil, biênio 2016-2017, aponta a ocorrência de cerca de 600 mil casos novos de câncer.  Sem contar os casos de câncer de pele não melanoma, os tipos mais frequentes em homens serão próstata (28,6%), pulmão (8,1%), intestino (7,8%), estômago (6,0%) e cavidade oral (5,2%). Nas mulheres, os cânceres de mama (28,1%), intestino (8,6%), colo do útero (7,9%), pulmão (5,3%) e estômago (3,7%) figurarão entre os principais. Destaca-se, a seguir, aqueles nos quais o tabagismo é fator de risco:

 

Câncer de pulmão no Brasil

Em 2016 foi estimado 17.330 de casos novos de câncer de traqueia, brônquios e pulmões entre homens e 10.890 entre mulheres. Esses valores correspondem a um risco estimado de 17,49 casos novos a cada 100 mil homens e 10,54 para cada 100 mil mulheres.

O principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer de pulmão é o tabagismo, que é responsável por, aproximadamente, 6 milhões de mortes anuais no mundo, e aproximadamente 147 mil mortes no Brasil, incluindo o câncer.

O padrão da ocorrência desse tipo de neoplasia, em geral, reflete o consumo de cigarros da sua região. Na maioria das populações, os casos de câncer de pulmão tabaco-relacionados representam mais de 80% dos casos de câncer de pulmão.

Câncer da cavidade oral
 
No ano de 2016, para o Brasil, foi estimado 11.140 casos novos de câncer da cavidade oral em homens e 4.350 em mulheres. Tais valores correspondem a um risco estimado de 11,27 casos novos a cada 100 mil homens e 4,21 a cada 100 mil mulheres
 
O câncer de cavidade oral faz parte do conjunto de tumores que afetam a cabeça e o pescoço. Foram estimados cerca de 300 mil casos novos no mundo, em 2012, sendo que, desses, aproximadamente dois terços são no sexo masculino. Para a mortalidade, foram estimados 145 mil óbitos por câncer no mundo, em 2012, com cerca de 80% ocorrendo em regiões menos favorecidas. O etilismo, o tabagismo e as infecções pelo HPV, principalmente pelos tipos 16 e 18, são os principais fatores de risco para esse grupo de tumores. O risco de desenvolver câncer de cavidade oral atribuído ao tabagismo e etilismo é de aproximadamente 65%. Quando esses dois fatores estão juntos, é observada a existência de um sinergismo entre eles, fazendo com que esse risco aumente ainda mais.
 
Câncer de bexiga
 
Estimou-se 7.200 casos novos de câncer de bexiga em homens e de 2.470 em mulheres no Brasil, em 2016. Esses valores correspondem a um risco estimado de 7,26 casos novos a cada 100 mil homens e 2,39 para cada 100 mil mulheres.
 
O principal fator de risco para o câncer de bexiga é o tabagismo. O risco de desenvolver câncer de bexiga entre os fumantes é cerca de duas a seis vezes maior do que em não fumantes. Sendo responsável por, aproximadamente, 66% dos casos novos em homens e 30% dos casos novos em mulheres. Grande parte do risco associado ao fumo ocorre em função da presença de aminas aromáticas (incluindo benzidina, 4-aminobifenil e 4-cloro-toluidino) na fumaça do cigarro. 
  
Câncer de laringe
 
Para 2016, no Brasil, estimou-se 6.360 casos novos de câncer da laringe em homens e 990 em mulheres. O risco estimado será de 6,43 casos a cada 100 mil homens e de 0,94 casos a cada 100 mil mulheres.
 
Os principais fatores de risco são o álcool e o tabaco. Existe evidência do aumento do risco de câncer da laringe quando for sinérgico o consumo do álcool e do fumo em quantidades exageradas. Outros fatores associados são: histórico familiar, alimentação pobre em nutrientes, situação socioeconômica desfavorável, presença do HPV e exposição excessiva a produtos químicos. Por outro lado, o consumo adequado de frutas e hortaliças parece exercer um efeito protetor contra a doença.

 


Referências:

 

1-Relatório da OMS sobre a Epidemia Global de Tabagismo, 2008: Pacote MPOWER
Sumário Executivo:
 
http://www.who.int/tobacco/mpower/mpower_report_full_2008.pdf

 

2-Centers for Disease Control and Prevention - Health Effects of Cigarette Smoking
http://www.cdc.gov/tobacco/data_statistics/fact_sheets/health_effects/effects_cig_smoking/


 

3-U.S. Department of Health and Human Services. The Health Consequences of Smoking: A Report of the Surgeon General. Atlanta: U.S. Department of Health and Human Services, Centers for Disease Control and Prevention, National Center for Chronic Disease Prevention and Health Promotion, Office on Smoking and Health, 2004.
http://www.surgeongeneral.gov/library/smokingconsequences/

4-U.S. Department of Health and Human Services. Reducing the Health Consequences of Smoking: 25 Years of Progress. A Report of the Surgeon General. Rockville (MD): U.S. Department of Health and Human Services, Public Health Service, Centers for Disease Control, National Center for Chronic Disease Prevention and Health Promotion, Office on Smoking and Health, 1989.
http://profiles.nlm.nih.gov/NN/B/B/X/S/_/nnbbxs.pdf

 

Referências complementares:

 

- P. Vineis, M. Alavanja, P. Buffler, E. Fontham, S. Franceschi, Y. T. Gao,P. C. Gupta, Tobacco and cancer: recent epidemiological evidence. -Journal of the National Cancer Institute, Vol. 96, No. 2, January 21, 2004

http://jnci.oxfordjournals.org/content/96/2/99.full


 

- Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Saúde Brasil, 2009: Ministério da Saúde; 2009. Disponível em:

http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_brasil_2009.pdf 

 

- Schmidt,  M. I., Duncan B.B, Azevedo e Silva G., Menezes A.M., Monteiro, C.A., Barreto, S.M., Chor, D., Menezes P.R. ,  Chronic non-communicable diseases in Brazil: burden and current challenges. The Lancet, Early Online Publication, 9 May 2011 doi:10.1016/S0140-6736(11)60135-9.

Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21561658

 

- Estimativa 2016: incidência de câncer no Brasil / Instituto Nacional de Câncer. José Alencar Gomes da Silva – Rio de Janeiro: INCA, 2015. Disponível em: http://www.inca.gov.br/estimativa/2016/estimativa-2016-v11.pdf


 

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