Mortalidade
Carga do tabagismo
A carga do tabagismo em 2011, em termos de mortalidade, morbidade e custos da assistência médica das principais doenças relacionadas ao consumo de produtos de tabaco no Brasil aponta que naquele ano, o tabagismo foi responsável por pelo menos:
- 147.072 óbitos;
- 2,69 milhões anos de vida perdidos;
- 157.126 infartos agudos do miocárdio;
- 75.663 acidentes vasculares cerebrais, e
- 63.753 diagnósticos de câncer.
Estes dados contemplam apenas as doenças e agravos considerados neste estudo. São mais de 400 óbitos por dia, que correspondem a 14,7% do total de mortes ocorridas no país (1.000.490 mortes).
"As mortes por câncer de pulmão e por DPOC corresponderam a 81% e a 78%, respectivamente, enquanto que 21% das mortes por doenças cardíacas e 18% por AVC também estiveram associadas a esse fator de risco. O conjunto das neoplasias revelou que 31% das mortes foram devidas ao consumo de derivados do tabaco. O tabagismo passivo e as causas perinatais totalizaram 16.920 mortes." (Pinto; Pichon-Riviere; Bardach, 2015)
As mulheres fumantes têm uma expectativa de vida de 4,47 anos menor que as mulheres não-fumantes, enquanto que na comparação com ex-fumantes a diferença é de 1,32 ano. Os homens fumantes possuem uma expectativa de vida 5,03 anos menor que aqueles que não fumam. Na comparação com os ex-fumantes, os fumantes vivem 2,05 anos a menos. Além do impacto na expectativa de vida, as doenças tabaco-relacionadas também interferem na qualidade de vida dos indivíduos. Em razão disso, a redução da expectativa de vida é mais significativa quando avaliada em termos de AVAQ (anos de vida ajustados pela qualidade). Nos homens, esta diferença é de 6,25 anos entre fumantes e não fumantes e nas mulheres de 5,72 anos.
Em termos econômicos, o custo total para o sistema de saúde foi de R$ 23,37 bilhões. O tabagismo passivo e as causas perinatais geraram custos de R$ 2.689.099.127, representando 11,5% dos custos totais. No Brasil o impacto econômico desses custos totais para o sistema de saúde correspondeu a 0,5% do PIB do país em 2011. O estudo realizado indica, no entanto, que essa carga econômica está subestimada, pois não foram incluídos nestes achados os custos com o absenteísmo, a perda de produtividade e os gastos do próprio bolso das famílias. Deste cenário, depreende-se que são apresentados somente uma parcela do custo.
Tabagismo e câncer de pulmão
No Brasil, dados de 2013 apontam que o câncer de pulmão é o que mais mata entre homens e o segundo que mais mata mulheres.
De acordo com o Atlas de Mortalidade por Câncer do INCA, observa-se que a taxa de mortalidade por câncer de pulmão entre homens era de 12,96 mortes/100 mil em 1979 alcançando em 2013 a taxa de 16.12 mortes/100 mil. Em 2004 observa-se um pico de 17.47 mortes/100 mil.
Entre mulheres a taxa de mortalidade por câncer de pulmão apresenta uma grande elevação com a taxa de 3.61 mortes/100 mil em 1979 e de 8,60 mortes/100 mil em 2013. Entre 1995 e 2013 o câncer de pulmão mantem-se como o segundo tipo de câncer que mais matou as mulheres, depois do câncer de mama.
Em 2004 a mortalidade proporcional por câncer de pulmão por grupo etário chegou a mais de 25% no grupo entre 40 e 59 anos de idade, o que aponta para o custo social do tabagismo.
Atlas de On-line de mortalidade:
https://mortalidade.inca.gov.br/MortalidadeWeb/pages/Modelo01/consultar.xhtml

